OLHOS NO CALOR

 

Hei-me nu e simples.

Teus olhos não me exijam a desaparição.

Olha-me, olha-me, que as horas passam

e esta luz muda, as gradações mudam,

a tarde, em trânsito, alarga-se e se esvai.

 

Darás, no futuro, conta de um dia,

deste dia e desta inimitável hora.

Darás conta da eternidade.

 

Olha-me inteiramente.

Em particular, olha-me nos olhos

e dá-me o doce constrangimento

que minha vergonha ingênua já conhece.

 

Como se eu fosse música, olha-me,

que tudo agora já é sempre e nada,

estalo de palha queimando,

olhos no calor.

NOTA: “Olhos no calor”: referência a “Eyes in the Heat”, tela de Jackson Pollock, na qual o autor, se o pode dizer, livremente se inspirou.

Webston Moura. Natural de Morada Nova, mora em Russas, municípios do Vale do Jaguaribe, no Ceará. Poeta, autor de “Encontros Imprecisos: insinuações poéticas” (2006).

Blog: http://arcanosgravidos.blogspot.com.br/.

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Revista Propulsão (ISSN: 2595-1351 )

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Editora Responsável

Lia Leite