PÓema

Senhoras e senhores,

Não me responsabilizo

Pelos danos futuros

Que poderá causar

O meu PÓema

Em sua tradicional-mente poética

De absorver, inspirar e recitar,

Versos carregados de PÓesia

 

Já imaginou biqueiras literárias

Espalhadas por toda perifa.

Livro engatilhado na mão

Dedo nervoso, parágrafo por parágrafo e ...

Pow...

Mais um livro finalizado.

 

Atribulado até umas horas

Depois de ler Dostoiévski,

Kafka e Nietzsche

O moleque se impregnou

Quando descobriu Foucault

Na biblioteca da escola

 

Meio mundo de palavras ali paradas,

Esperando serem devoradas

Por alguém que tem FOME

FOME literária 

 

Versos sangrentos

Para cada periférico

Sentenciado ao silêncio eterno,

Uma poesia nascerá

Como fruto da resistência

A favor da estagnação

Da sangria que há

Na periferia

 

Lágrimas, dor e sofrimento,

Se equiparam conjuntamente

A esses versos sangrentos

 

Que floresçam novas paisagens harmoniosas

Nos guetos escuros de nossas favelas

Permanece a memória condenada

A ser esquecida na marginalidade

Dos seus podres centros

 

Em vez de rojões no céu

Para celebrar menos um favelado na Terra,

Canhões erguidos com poesias letais serão

Postos frente a espalhar na periferia

Palavras que revoguem AMOR

 

 

 

Sou Renan Dias, criado e educado no bairro Terrenos Novos, periferia sobralense onde sobrevivo em meio aos versos sangrentos de uma escrita menor e marginalizada. Sou mais um clandestino que usa a poesia como ato revolucionário de subversão dentro da periferia.

 

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Revista Propulsão (ISSN: 2595-1351 )

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Editora Responsável

Lia Leite