Diálogo

 

sem beck não

tem beckground

 

dormi de um porre

acordei de um tapa

 

vida boa

vida à toa

 

dia de muita luz

tapioca e cuscuz

 

só um lembrete

tomar um sorvete

 

na madrugada

cerveja gelada

 

vou me danar

no paladar

 

aguas de março

flores de abril

 

agosto, vento a gosto

sol, b-r-o: bro.

  

 

A loura

 

no fio da navalha

cai não cai não cai não

na soleira da porta

vai não vai não vai não vai

 

as cinzas do cigarro no copo com água

a escova                     no copo com água

as moedas miúdas   no copo com água

 

os sonhos de moleque danado

o medo da Perna Cabeluda

o pega-pega, esconde-esconde.

 

no mucuripe

peguei uma gripe

na beira-mar

ceguei o olhar

na iracema

comprei um poema

perto da bárbara

ajeite a  barba, rá,

 

ferraram-me

na ferreira

na leões

cambões

no dragão

ladrão,

fedor total

no central.

no sebastião

devorei a mão.

 

 

La mente

 

Ao Movimento Phulerista d’Alhures

In memorian

 

só   mente

pra  mente

é

pre  mente

mor mente

de   mente

       mente

constante

        mente

 

 

 

Manoel Carlos é professor Adjunto da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (UECE). Tem experiência na área de História do Brasil, com ênfase em História do Brasil Monárquico, atuando principalmente nos seguintes temas: história e literatura, intelectuais, história do Ceará, cultura popular e nacionalidade. Mas sobretudo é pindaibeiro e frequentador do Bar do Assis.

Revista Propulsão (ISSN: 2595-1351 )

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Editora Responsável

Lia Leite