LÉO PRUDÊNCIO
POEMA

Goiânia às cinco da tarde

 

cidade tua solidão me invade

hoje eu sou todo saudade

daquele verde mar e num

vazio quase intocável o

o mundo fez-se de luz

 

mas eu também sou

essa cidade em ruínas

eu também sou

essa alegria latina

 

 

Cantiga de amigo

 

Conte-me pequeno ramo de flores

traz notícias de meu amado

a quem há muito espero

            em meus braços?

Sei que as árvores comunicam pelo silêncio

não arredo de minha agonia, não dou passos

para trás.

 

Diz-me flores da acácia

porquê ouço a voz de meu amado

quando o vento corta por entre teus galhos?

            Mas não o vejo

            não o toco

            não o beijo...

Aquieta-me flores do verde pinho

sempre que volto pra casa a ausência dele

me devora, como uma cigarra devora o silêncio.

Léo Prudêncio é formado em Letras pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UEVA. Nasceu em São Paulo, mora em Goiânia, mas prefere dizer que é cearense por ter morado em Sobral por quase vinte e cinco outonos de sua vida. Publicou os livros de poesia Baladas para violão de cinco cordas (2014), Aquarelas: haicais (2016) e Girassóis maduros (2017)

Revista Propulsão (ISSN: 2595-1351 )

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Editora Responsável

Lia Leite