SUSSURROS

Madrugada de água. Amores idos, brumas

Mortas de manhãs

Distantes –

O crime estala na noite

Como um costume ou uma flor que

Nasce

Nada é estupendo feito uma

Onda de tsunami que varre

A costa, deixando um rastro

De vazio

O vazio está dentro.

Não adianta mais puxar a coberta

Há um frio que nada aquece

Rezamos mais este

Rosário e a manhã transborda

Com a sua cálida cauda de estrelas

Arrepiantes de um brilho que só as crianças conhecem

Mas que nos encontram à deriva

De todos os sonhos, de toda a vida, há

Um suspiro que há muito se calou

O oceano nos afogou há pelo menos 20 anos

Os seus navios soçobraram

O céu enluarado trouxe os diagnósticos de doenças

Terminais ou de loucuras;

Não há sonhos nascendo nos nossos espíritos

Recém-congelados

De um ódio estranho

A tudo que se move e grita –

Somos medonhos, somos feios

E os mares desabaram sobre nós os seus sussurros

De um escalpelo escuro e

Subterrâneo cheio de raízes.

Izabella Zanchi, 1956, vive e trabalha em Curitiba.  Migrou do teatro para as artes visuais nos anos 80, formando-se em gravura na EMBAP/PR e criando a técnica do sudário, uma versão de monotipia que agrega o solvente.  Participou de mostras locais, nacionais e internacionais. Escreve poemas desde a infância, tendo publicado em revistas eletrônicas como Mallarmargens, Propulsão e Logos.  Participou de algumas antologias poéticas brasileiras, como Além da Terra, além do Céu, da editora Chiado, em 2017.  Publicou um diário sob pseudônimo pela editora Rosa dos Tempos (Record).

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Revista Propulsão (ISSN: 2595-1351 )

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Editora Responsável

Lia Leite