libertA

.bateu uma saudade samba
e uma vontade rock
de dedilhar tua pele
e te roubar um blues

amanheci com a alma choro
e só o teu abraço reggae
poderia me carregar
porque por mais que a vida
esteja uma bossa
não há batida que possa
com o teu jeito punk
de me libertaR

 

 

máquinaS, homenS, livreS

.as máquinas voltam cansadas pra casa
e quando dormem
sonham que são homens

os homens voltam cansados pra casa
e quando dormem
sonham que são livres

os livres sonham acordados
desafiam a si mesmos 
não permitem que o medo
prevaleça sobre a coragem
os livres agem
e quando voltam cansados pra casa
apenas dormeM

 

 

abomináveL brancA dE nevE

.cabelos negros
como a escuridão da própria alma
pele branca
como a palidez sombria da morte
lábios vermelhos
como os de um vampiro após matar a sede

vou para os seus braços
vôo como mariposa
para o calor mortal da sua luZ

 

 

teatrO invisíveL

.não é uma faixa de pedestre
é um palco
não é um menino de rua
é um ator mirim
não é um trapo
é o figurino
não é fome
é maquiagem
esses olhos, essas mãos
não estão pedindo dinheiro
estão dançando
e essa peça está em cartaz
em todos os sinais vermelhoS

 

 

poçA

.de noite
na rua
numa poça d'água
piso a luA 

 

 

nós, voz

.quando nós
tirarmos da garganta
os nós
vós
sabereis que também
temos voZ

 

 

Emerson Bastos

www.emersonbastos.com

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Revista Propulsão (ISSN: 2595-1351 )

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Editora Responsável

Lia Leite