REFUTAR

 

essa passagem que comprei anos atrás

custou uma vida, a minha, somente a minha

colocar uma esperança mínima na paisagem da vida

eu que comprei uma passagem e me arrependo

em mim, a pele pálida troveja, no outro, a pele

avermelhada goza

há alguma diferença

pergunto-lhe

não muita, os extremos sempre foram muito parecidos

 

sentei-me a ver o anarquista, o comunista,

o capitalista, todos são homens como eu,

e o que eu posso mais pedir?

pergunto-lhe

uma esperança líquida, sincera, que cai

conforme o ritmo da gravidade, e na paisagem

da vida, os mesmos que eu, sofrem o mesmo

que eu, ou já sofreram, todos são pessoas

como eu, não

pergunto-lhe

 

esperança mínima reflete a paisagem

de um dia seguinte, de um ano próximo,

de uma vida que virá, e virá algum dia

que eu sinta que todos lá fora são homens

como eu, não somente um capitalista, um anarquista,

um comunista, um ideológico, um religioso.

 

 

.

Quero que venhas para morrer, disse-lhe, venhas

para morrer neste instante, como a escuridão, a

galáxia, quero que venhas a morrer agora, a ter

uma repugnância frequente, quero que venhas,

pela primeira vez, a morrer, não para sempre,

mas pela primeira vez, e quero apenas que venhas

para morrer, descobri-te logo as duas bobinas

que ficam catalogadas na sua vida de morte,

quero que venhas a morrer antes que seja tarde.

.

 

 

LUZ A

tenho saud            ade do pássaro

azul que você levou       contigo. tão somente

ligeira, guardando u     m segredo lindo. talvez

para  lembrar-se de n  ó  s  o pássaro azul chora

pela a pássaro a z u l que esperneia

aqui dentro  d a  minha casa.

 e d a d u a s

ENZO FUJIMOTO

 

.

Revista Propulsão (ISSN: 2595-1351 )

Conteúdo protegido pela Lei do Direito Autoral nº 9.610/98. 

Editora Responsável

Lia Leite