EM FURTACOR

Quem quer saber de poesia?

Quem precisa saber? Para quê?

Quem exige poesia pra viver?

Quem deseja essa alegoria?

Quem? Quem?

Talvez, só aquele que tenha estrelas nos olhos,

Borboletas na cabeça

Efervescência nas entranhas

E maciez no coração.

Ou aquele que suspira ar furtacor

Dança em passos nômades

E faz das nuvens seu caderno de desenho.

 

 

 

ELUCUBRAÇÕES DE UMA MENINA DESVAIRADA

(Homenagem à Emília, de Monteiro Lobato)

- Bom é saber que temos imaginação

Esse poder de divagar, devagar

Trotando, montada no cangote da fantasia.

                               

- Bem que eu poderia viajar com você

A um lugar onde não existisse endereço

Para que nem mesmo o carteiro pudesse perturbar.

 

- Nem sou tão maluca assim.

Eu queria até ser minha amiga,

Se fosse outra!

 

- Mas uma coisa eu digo:

Perde quem não busca

E também ganha quem não encontra.

 

- Já imaginou se pudéssemos dar um salto até as nuvens?

E delas fazer um maravilhoso travesseiro?

Eu já.

 

- Às vezes tento entender minha cabeça esvoaçante

Que até parece partícula no ar.

Aí desisto.

 

- E você, que fica aí a ler, ler, ler

Que tal digerir este poema

E saborear um delicioso caldo de letrinhas?

Ana Cristina Moraes

Revista Propulsão (ISSN: 2595-1351 )

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Editora Responsável

Lia Leite